O Jardim
O jardim está brilhante e florido.
Sobre as ervas, entre as folhagens,
O vento passa, sonhador e dristrído,
Peregrino de mil romagens.
É Maio áciso e multicolor,
Devorado pelo próprio ardor,
Que nesta clara tarde de cristal
Avança pelos caminhos
Até os fantásticos desalinhos
Do meu bem e do meu mal.
E no seu bailado levada
Pelo jardim deliro e divago,
Ora espreitando debruçada
Os jardins do fundo do lago,
Ora perdendo o meu olhar
Na indizível verdura
Deixa-me ouvir o que não oiço...
Não é a brisa ou o arvoredo;
É outra coisa intercalada...
É qualquer coisa que não posso
Ouvir senão em segredo,
E o que talvez não seja nada...
Deixa-me ouvir... Não fales alto!
Um momento!... Depois o amor,
Se quiseres...Agora cala!
Ténue, longínquo sobressalto
Que substitui a dor,
Foi com a minha mãe, recordo hoje, que aprendi a amar Monserrate. Lembro-me ainda dos piqueniques que aí fazíamos na época estival, uma vez por ano. Era uma festa cheia de gente: os meus pais, os meus irmãos, mais os queridos amigos de Sintra.
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