Nota de Despedida do André

Cara Dinah, Caros Colegas de Direcção e Amigos, 

Como sabem, vou viver para os Emirados Árabes Unidos dentro de pouco tempo, sendo por isso obrigado a abandonar o meu lugar de vogal da Direcção da Associação dos Amigos de Monserrate. 

Desde o momento em que a Emma Gilbert me convenceu a integrar a AAM - convite irresistível por ela e por Monserrate - tive a honra de integrar direcções dos três presidentes que a Associação elegeu até hoje. As direcções mudaram, mas nunca mudaram nem a alma nem os objectivos principais da Associação, que se manteve cooperante e firme com os seus interlocutores institucionais,  segundo os tempos e as necessidades, sempre na defesa intransigente dos interesses de Monserrate que não nos seus. 

É suposto o voluntariado ser uma dádiva de si mesmo a uma causa, e é isso que fizemos sempre na associação. Servimos Monserrate, nunca nos servimos de Monserrate, e não consigo lembrar-me de um só momento, em todos estes anos, em que isso não tenha sido verdade. 

Tivemos nestes últimos anos a alegria de ver as duas componentes  - a patrimonial e a natural  - de Monserrate valorizadas, a certeza de que o Palácio restaurado tem a sua conservação garantida por muitos anos e que uma programação com importância crescente, da qual somos também promotores e até inspiração, vem  afirmá-lo dentro da paisagem cultural de Sintra e da região de Lisboa.Também tivemos tristezas, com a partida de tantos amigos que ajudaram a salvar Monserrate e a construir a associação, com destaque para a desaparição recente do Bernardo Pacheco de Carvalho, que aqui evoco com saudade.

Permanecem desafios, desde a continuidade na captação de fundos que permitam o investimento em projectos partilhados com a PSML - como a diversificação da flora dos jardins  - à ampliação do número e do leque etário de associados, passando pela sempre necessária promoção nacional e internacional de Monserrate e sua representação no forae próprios. São essa as razões da continuidade da AAM, e esta Direcção tem procurado responder a esses desafios com o trabalho e o envolvimento constante dos seus membros, parecendo-me que a disponibilidade permanente terá de ser, no futuro, uma condição sine qua non para a cooptação dos seus membros. Dar pode e deve ser exigente.

Estes anos foram muito gratificantes, e não podia deixar de in fine agradecer à Dinah e aos meus colegas da Direcção a amizade e simpatia com que me distinguiram sempre. Mesmo à distância permanecei amigo de todos e de Monserrate, na certeza de que continuarei a receber boas notícias do trabalho da AAM.

Um abraço grande a todos e até já,

André Dourado