Fados e Contarias, por Teresa Varatojo

Pertenço – e afirmo-o com pesar – ao grupo de pessoas que não conhecia Monserrate, o seu palácio e os seus jardins, até há poucas semanas.

Este nosso vício, tão português, de sermos capazes de viajar e procurar conhecer o património estrangeiro com um entusiasmo e curiosidade tão grandes enquanto deixamos os nossos próprios tesouros por descobrir….

Foi necessário que mão amiga me levasse até lá, a pretexto do um evento integrado numa campanha de angariação de fundos, promovida pela Associaçao dos Amigos de Monserrate cujo objectivo é a aquisição de rhodondendros que irão alindar, ainda mais, o maravilhoso espaço envolvente. 

Nunca lhe agradecerei bastante o desafio, pelo encantamento que o palácio provoca, a forma delicada, (carinhosa mesmo!), como todo aquele espaço foi recuperado, o cuidado que se adivinha nos pormenores do restauro, a atenção dada à escolha do mobiliário mais recente e o seu diálogo harmonioso com o que se reconhece como pré existente…. Tudo ali transpira empenho, conhecimento mas – e muito principalmente – muito amor! O restauro do Palácio de Monserrate só pode ser entendido se nele se envolver a componente da paixão por aquele projecto. Sente-se isso, respira-se essa atmosfera por todo o lado.

Mas regressemos aos rhodondendros e ao original programa que a Associação dos Amigos de Monserrate resolveu associar-lhes, promovendo uma Tarde de Fados e Contarias  muito agradável, informal e surpreendente.  Agradável pelas características do convívio que originou; informal pelo ambiente amistoso, afectivo e próximo que proporcionou; surpreendente pela combinação das propostas apresentadas cujo resultado foi francamente feliz .

O cantar e o dizer de Margarida Soeiro e as vozes de Nuno Siqueira e João Nunes formaram uma feliz combinação com o espaço e os amigos presentes permitindo momentos sublimes de partilha de sentimentos. O Professor João Torre do Vale trouxe-nos um “sentir” da guitarra, invulgar e denso de emoções enquanto Silvestre Fonseca, ligando o virtuosismo á sua particular “irreverência” e humor nos  surpreenderam de forma absolutamente invulgar. E que não vos ocorra, por um momento que seja, que exagero ou tento encontrar aqui um discurso simpático - tive oportunidade de confirmar como esta opinião era consensual no agradável lanche com que se encerrou este evento.

E a tudo isto, depois disto e além disto, se seguiram as Contarias: um deslumbre!! 

A Ana Sofia Paiva - que entre outras coisas é atriz - nasceu para comunicar. Comunicar muito. Muito facilmente! E bem! Porque conta bem! Canta bem! Cativa, prende e suspende a atenção! O seu contar de histórias não pode ser descrito: é feito de “sentires”! De entoações! Da troca de emoções e de afectos! Nasceu, sem dúvida, com particulares capacidades de comunicar. Mas construiu a partir daí uma invulgar Contadora cuja expressividade pode apenas referir-se! Porque tem que ser sentida, ouvida, vivida, para ser entendida.

                                                                                                                              Teresa Varatojo